A Cidade Sitiada

A Cidade Sitiada

00:00 / 00:00

Sinopse

A cidade sitiada faz parte do conjunto de três romances que Clarice escreveu antes de completar 30 anos. O primeiro, Perto do coração selvagem, foi lançado no ano em que ela se casou, 1943, o terceiro, no ano em que teve o primeiro filho, 1949. Escrita e gravidez correram em paralelo e, como Clarice relatou em carta à irmã, Tania, “quando terminei o último capítulo, fui para o hospital dar à luz o menino”.
Esse detalhe íntimo poderia ser supérfluo caso A cidade sitiada não estivesse tão completamente entrelaçado com a vida da autora, que padecia em Berna, a mesma “solidão vazia” e a mesma angustiosa melancolia que sua personagem, Lucrécia Neves, sofria no subúrbio de São Geraldo. Em outra carta, Clarice afirmou: “É ruim estar fora da terra onde a gente se criou, é horrível ouvir ao redor da gente línguas estrangeiras, tudo parece sem raiz; o motivo maior das coisas nunca se mostra a um estrangeiro, e os moradores de um lugar também nos encaram como pessoas gratuitas.”
Foi esse sentimento de absoluto não pertencimento, de total estranhamento e mútua desconfiança que Clarice transpôs para Lucrécia, fazendo-a tão sem graça quanto as jovens suíças, “de cara séria, sem vaidade”, que só conseguem ser “engraçadinhas no verão”. Da mesma forma que ela metamorfoseou a bela, encantadora e quase milenar capital suíça, tombada pela Unesco, no feio, desolado, insípido e atrasado subúrbio de São Geraldo, predestinado a se tornar ainda pior à medida que o “progresso” o vai desfigurando ao final da narrativa.
Lucrécia é uma mulher mais inteligente e ambiciosa do que todos aqueles que a cercam, uma força da natureza que não aceita ser sitiada e asfixiada pela mediocridade imperante. E, como bem observou a escritora Rachel Gutiérrez: “Este livro, que Santiago Dantas considerou ‘denso e fechado’, é um ponto de mutação, que já anuncia na obra de Clarice Lispector a extraordinária liberdade criativa de Laços de família e de A maçã no escuro.

Autor

Clarice Lispector
Clarice Lispector
Uma escritora decidida a desvendar as profundezas da alma. Essa é Clarice Lispector, que escolheu a literatura como bússola em sua busca pela essência humana.Sua tentativa de transcender o cotidiano revela-se em personagens na iminência de um milagre, uma explosão ou uma singela descoberta. Todos suscetíveis aos acontecimentos do dia a dia.Vidas que se perdem e se encontram em labirintos formados por uma linguagem única, meticulosamente estruturada. E é por essa linguagem que Clarice Lispector constrói uma obra de caráter tão profundo quanto universal.

Narrador

Zeza Motta

Zeza Mota
Atriz, Locutora, Narradora de Livros e Produtora Teatral com 20 anos de experiência em teatro, TV e locução.

Em teatro atuou em mais de 30 espetáculos, entre eles: Para Gelar a Alma, inspirado em contos de Edgar Allan Poe, dirigido por Márcio Araújo; Pessoas Absurdas, de Allan Ayckbourn, direção de Otavio Martins; Circuito Ordinário, de Jean Claude Carriere, direção de Otavio Martins; Ligações Perigosas, de Christopher Hampton, direção de Mauro Batptista Vedia; Pedreira das Almas, de Jorge Andrade, direção Brian Penido Ross; Flores Brancas, de João Fabio Cabral, dirigido por Fabiana Carlucci e Rogério Harmitt; Esvaziamento, de Beatriz Carolina Gonçalves, direção de Luiz Valcazaras; Ovelhas que Voam se Perdem nos Céus, de Daniel Pellizzari, direção de Mario Bortolotto; A Filosofia na Alcova, de Sade, direção Rodolfo Garcia Vasquez.

Em publicidade e locução, participou das campanhas O Boticário na Dança, Institucional Suzano, Bradesco Seguros, SECOM, Vivo, Advil, Tixan Ypê, Sicredi, Metrô de São Paulo, Nossa Caixa, Produtos Minuano, Tang, Toyota, Faber Castell, Vinagre Minoto, Itaú Personalittè, Xsara Picasso Citröen, Revista MTV, Fotoptica, Sedex, Maracujina, América Online, Sadia, Supermercados Barateiro, Supermercados Pão de Açúcar, Casas Bahia, Sabão Ypê, além de vídeos internos para a Bayer, Brastemp e Secretaria do Trabalho.